Reverb Brasil
O que é a Reverb Brasil?
Reverb Brasil é uma Associação Brasileira de Bandas de Surf Music, que surgiu no ano 2000 com o intuito de unir as bandas de Surf Music de todo o país e divulgar a cena Surf nacional e internacionalmente. Seu núcleo principal está em Belo Horizonte, onde conta com um programa semanal na Rádio Inconfidência, e onde é realizado, em parceria com A Obra, o Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe, festival anual que recebe bandas de Surf de todo o país.
Mas não só em BH as bandas da Reverb são atuantes. Elas se unem e estão sempre ajudando umas às outras a organizar shows e turnês e a divulgar seus discos.
Ok, eu entendi, mas o que diabos é Surf Music? De onde veio isso?
O jeito mais fácil e mais manjado de explicar o que é surf music é se referir àquela musiquinha que toca no início de Pulp Fiction. Outro jeito fácil é dizer: “Lembra aquela musiquinha do surf em ‘Jogos de Verão’ do Master System”? Claro que isso é muito pouco pra explicar, então vá até a seção de downloads e ouça as músicas enquanto lê o resto do texto.
A Surf Music surgiu nos anos 60. É claro que existem controvérsias sobre quem inventou, quem foi o primeirão. O importante é que, mais ou menos ao mesmo tempo, começaram a surgir bandas tocando um som similar, com músicas instrumentais em que o foco estava na guitarra, e não no sax, como na maioria das bandas dos anos 50. Artistas como Dick Dale and His Del-Tones e The Bel-Airs podem ser considerados os primeiros, com muitos outros que seguiram esses passos e fizeram um certo sucesso nos anos 60, como The Surfaris, The Astronauts e The Trashmen. Uma vez que a maioria das bandas vinha da Califórnia, onde a maioria dos surfistas se encontrava na época, o estilo acabou ficando conhecido como surf music. É claro que existiam surfistas que eram músicos e músicos que mal sabiam nadar, mas a música passou a fazer parte do estilo de vida desses surfistas, e o nome Surf Music pegou mesmo. Os nomes das bandas lembravam surf de alguma maneira, e as músicas geralmente tinham nomes de praias, manobras ou gírias de surf (só para citar algumas clássicas: Pipeline, dos Chantays, que é uma praia, e Wipe Out, dos Surfaris, gíria para uma manobra malsucedida, em que a pessoa é derrubada da prancha pela onda, a famosa “vaca” por estas praias).
A grande maioria das músicas era instrumental e tinha uma batida mais dançante e um som de guitarra meio fluido, que se devia a um efeito chamado reverb, deixando a guitarra meio “molhada”. É muito difícil definir ao certo o que é surf music. Na época, existiam muitos grupos de rock instrumental, que influenciaram o estilo, ainda que não fossem surf, e outros que eram instrumentais e tinham influência de surf, ainda que não adotassem esse “rótulo”. É claro que a maioria das bandas também tinha músicas com vocal, e existiam grupos como os Beach Boys, que eram bem mais baseados em vocais. Muita gente nem gosta de considerar as músicas com vocal como surf music. Mesmo assim, as influências são variadas, nem sempre naquele estilo dos The Beach Boys e Jan & Dean, com todos os vocais e backing vocals com harmonias de Doo Wop. Muitas das músicas com vocais tinham influências de rockabilly, country, garage e até mesmo de soul.
Por conta da British Invasion e da psicodelia do fim dos anos 60, o estilo acabou caindo um pouco no ostracismo durante os anos 70.
Com o surgimento do movimento punk e o resgate do tipo de som que era feito nos anos 50/60 em contraste com a Disco e o Rock de Arena (progressivo), o surf voltou a ser valorizado. Bandas como Jon and The Nightriders, Agent Orange e Surf Punks surgiram nessa época, algumas com influências maiores de surf music tradicional e outras misturando tudo com punk e hard core californiano. Essa é a chamada segunda onda.
Nos anos 90, surgiu um novo boom da surf music. Puxada pelo sucesso do filme Pulp Fiction, veio a terceira onda. Dick Dale, que foi um dos primeiros no estilo, voltou a fazer sucesso por causa da música da abertura do filme (“Miserlou”, uma música típica grega, que foi um dos maiores sucessos da surf music nos anos 60). A trilha sonora contava ainda com músicas como “Surfrider” (com The Lively Ones), “Bustin’ Surfboards” (The Tornadoes), “Bullwinkle Part II” (The Centurions) e “Comanche” (The Revels). Bandas surgiram por todo o mundo. E como haviam se passado 30 anos desde o surgimento do estilo, muita coisa mudou. Bandas misturavam surf music com influências de punk rock, outras com influências de metal, outras com um som mais trabalhado e progressivo e algumas ainda se mantinham mais fiéis ao tradicional.
Bandas como Man or Astroman? fizeram um certo sucesso no meio underground, não se limitando somente ao público da Surf Music. Eles chegaram a fazer 3 turnês no Brasil e até gravaram um disco em BH. O próprio Dick Dale também fez uma turnê por aqui e tocou, entre outras cidades, em Belo Horizonte. Gostou tanto da cidade que fez uma música chamada Belo Horizonte. Depois, ele lançou um disco contendo duas versões dessa música, uma instrumental e outra com vocal, já prevendo e abençoando BH como a capital da Surf Music do Brasil.
A Surf Music hoje em dia conta com bandas em todo o mundo, e a cena brasileira é reconhecida como uma das mais prolíficas e criativas.
E esse tal de Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe?
O Campeonato surgiu em 2000, juntamente com a Reverb Brasil. A Reverb surgiu como uma lista de internet e um canal de mIRC. Veio a vontade de todo mundo se reunir, e assim apareceu o festival. Foram três dias seguidos de surf music na Obra, com bandas de Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O Campeonato continuou acontecendo todos os anos (menos 2001). Em 2008 foi realizado o 8º Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe, com bandas de Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Ceará. Em suas oito edições, o Campeonato já recebeu bandas de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Pará, além de uma atração internacional, Daddy-o Grande, guitarrista do Los Straitjackets, devidamente acompanhado por músicos locais. Ao todo, 55 bandas já subiram aos palcos do Campeonato, sendo que várias delas tocaram em mais de uma edição. Em sua imensa maioria, bandas de Surf Music, mas outros estilos também dão as caras em pelo menos um show em cada edição.
Amizades surgiram, shows também. As bandas de BH foram tocar no Rio, as bandas do Rio foram para São Paulo, as de São Paulo, para Curitiba… Tudo em decorrência dos contatos que surgiram e ficaram fortes por causa dos Campeonatos e da Reverb Brasil.
Mas por que diabos todo ano se chama Xº Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe?
Existem várias correntes de pensamento. Uma defende que o Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe foi tão legal que tinha que ser repetido todo ano. Outros dizem que é por ser o primeiro festival de Surf Music do país… Na verdade, não passa de uma piadinha repetida, mas o nome pegou e vai continuar assim.
E quem é a Reverb?
A Reverb é muita gente e ao mesmo tempo não é ninguém. Não existe uma equipe de verdade. As coisas são feitas através da Reverb e não por ela. Por exemplo, as tours são organizadas usando-se o contato da Reverb, as pessoas que fazem parte da Reverb em cada cidade ajudam em divulgação, dão aquela força operacional (caronas, hospedagem, etc) e tudo, mas não existe um dedo da entidade em si. O programa é apresentado pelo Claudão e o site pretende ter uma ajudinha de todo mundo, mas quem toma conta mesmo é o Mocotó. Às vezes, uma pessoa toma a frente em determinado projeto, mas isso não quer dizer necessariamente que essa pessoa é a Reverb. Ou seja, como toda entidade que se preze, a Reverb é uma entidade fantasma.
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